Herberto Helder

Herberto Helder nasceu na Madeira em 1930 e virou costas à ilha para partir à aventura pela Europa. Passou pela Universidade de Coimbra mas desistiu por achar que isso não acrescentava nada à sua formação. Andou à deriva por vários países da Europa onde teve profissões tão variadas como guia de marinheiros em bairros de prostitutas, cortador de legumes, empregado de restaurante, empacotador de aparas de papel e estivador. Deu largas à sua imaginação nas retretes privadas de Paris. Viveu momentos de precariedade e chegou a passar fome. Regressou a Lisboa, passando a viver da própria escrita.
Reconhecido como um dos maiores poetas portugueses contemporâneos, Herberto Helder é mesmo apontado como uma referência na poesia portuguesa depois de Fernando Pessoa. O universo enigmático e metafórico que consegue criar com a sua poesia invocam muitas vezes uma dimensão cósmica que se aproxima das grandes leis que regem os movimentos da natureza.
Tal como a sua poesia, Herberto Helder é para o público uma personalidade enigmática. Recusou o Prémio Pessoa e com ele mais de 35 mil euros. Este ano foi proposto pelo Pen Clube de Portugal como português candidato ao Prémio Nobel da Literatura.

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Mia Couto

Mia Couto

Escritor e jornalista moçambicano, António Emílio Leite Couto nasceu em 1955, na Beira, filho de uma família de emigrantes portugueses chegados a Moçambique no princípio da década de 50. Fez a escola primária na Beira. Em 1971, iniciou os seus estudos de Medicina na Universidade de Lourenço Marques (actualmente, Maputo). Por esta altura, o regime exercia grande pressão sobre os estudantes universitários. Ligado à luta pela independência de Moçambique, tornou-se membro da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO).
A partir do 25 de Abril e da independência de Moçambique, interrompeu os estudos para trabalhar como jornalista, em primeiro lugar, em “A Tribuna” , juntamente com Rui Knopfli. Nessa altura tornou-se também director da Agência de Informação de Moçambique (AIM). Participou na revista ”Tempo” até 1981, ficando, depois, no “Notícias” até 1985. Altura em que ingressou na Universidade Eduardo Mondlane para tirar o curso de Biologia. O seu primeiro livro, “Raiz de Orvalho” (poemas), foi publicado em 1983. Segundo o próprio autor, consiste numa espécie de contestação contra o domínio absoluto da poesia militante e panfletária.
Seguiram-se, entre outros, Vozes Anoitecidas (1986), livro de contos com que se estreou na ficção e que foi premiado pela Associação de Escritores Moçambicanos; “Cada Homem é uma Raça” (1990), “Cronicando” (1988), livro de crónicas; “Terra Sonâmbula” (1992), o seu primeiro romance;
“Estórias Abensonhadas” (1994), “A Varanda do Frangipani” (1996), “Contos do Nascer da Terra” (1997), “Vinte e Zinco” (1999) e “Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra” (2002). Em 2001, em Portugal, Mia Couto recebeu na Fundação Calouste Gulbenkian o Prémio
Literário Mário António (prémio atribuído a escritores africanos lusófonos ou escritores timorenses de três em três anos) pela sua obra “O Último Voo do Flamingo”.

In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2005.

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Florbela Espanca

Florbela Espanca

Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894 e é em Vila Viçosa que vive a sua infância. Em Novembro de 1903, aos sete anos de idade, escreve a sua primeira poesia de que há conhecimento, «A Vida e a Morte», mostrando uma admirável precocidade.
Ingressa no liceu de Évora, num tempo em que poucas raparigas frequentam estudos. Trabalha como explicadora no ensino do francês, inglês e outras matérias. Mais tarde, com vinte dois anos, frequenta Direito na Universidade de Lisboa.
Florbela nunca integrou nenhum grupo literário, nem nunca foi solicitada a colaborar em qualquer periódico relevante. De entre a sua obra, destacam-se o Livro de Mágoas, editado e compilado por Raul Proença em 1919, e em 1923 é editado o Livro de Soror Saudade, onde incluirá grande parte da produção anterior.
Na sua poesia realça o Alentejo e os locais ligados às suas origens, mas a sua escrita situar-se-a sobretudo no campo da exaltação passional. Uma existência amorosa e socialmente malograda culminarão com um suicídio aos 36 anos de idade, em 1930.

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Maria Teresa Horta

Maria Teresa Mascarenhas Horta nasceu em Lisboa em 20 de Maio de 1937. Oriunda, pelo lado materno, de uma família da alta aristocracia portuguesa, conta entre os seus antepassados a célebre poetisa Marquesa de Alorna.
Estudou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Dedicou-se ao cine-clubismo, como dirigente do ABC Cine-Clube, ao jornalismo e à questão do feminismo tendo feito parte do Movimento Feminista de Portugal juntamente com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa. Em conjunto lançaram o livro “Novas Cartas Portuguesas”.
Teresa Horta também fez parte do grupo Poesia 61.
Publicou diversos textos em jornais como Diário de Lisboa, A Capital, República, O Século, Diário de Notícias e Jornal de Letras e Artes, tendo sido também chefe de redacção da revista Mulheres.

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Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade é o pseudónimo de José Fontainhas. Nasceu a 19 de Janeiro de 1923 na Póvoa de Atalaia (Fundão), morreu a 13 de Junho de 2005 no Porto. Em 1932 muda-se para Lisboa com a sua mãe, figura importante na sua vida. Estudou no Liceu Passos Manuel e na Escola Técnica Machado de Castro.
Exerceu funções como inspetor administrativo do Ministério da Saúde durante 35 anos. Foi também tradutor, ensaísta, colaborou em algumas publicações e prefaciou antologias poéticas.
Em 1940 publica o seu primeiro livro Narciso e em 1948 publica As mãos e os frutos, com o qual alcança a consagração. Seguiram-se outras publicações de livros de poesia e prosa. Escreveu duas histórias infantis História da égua branca em 1977 e Aquela nuvem e as outras em 1986.
Recebeu inúmeras distinções e prémios: Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários
(1986), Prémio D. Dinis da Fundação Casa de Mateus(1988), Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989) e Prémio Camões (2001); grau de Grande Oficial da Ordem de Sant’Iago da Espada (1982) e a Grã-Cruz da Ordem de Mérito (1988). Os Municípios do Porto, Oeiras e Fundão distinguiram-no atribuindo-lhe a Medalhas de Mérito e a Medalhas de Honra. No estrangeiro, recebeu a Medalha da cidade de Bordéus (1990) e a Medalha da Universidade Michel de Montagne da mesma cidade.

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